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	<title>Comentários em: O estranho caso do Prof. Arroja</title>
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		<title>Por: António Figueira</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/03/o-estranho-caso-do-prof-arroja/comment-page-1/#comment-130</link>
		<dc:creator>António Figueira</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2006 11:13:40 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Miguel,
Obrigado pelo seu comentário, mas eu não creio que V. tenha completamente razão.
É evidente que a palavra &quot;liberal&quot; já teve no Ocidente um sentido genericamente mais radical e menos conservador do que aquele que hoje possui; afinal, enquanto actualmente damos as liberdades civis e políticas por adquiridas, todo o trabalho de subversão do Antigo Regime, na transição dos séculos XVIII para XIX, foi feito em nome do liberalismo.
Agora o carácter particular que essa transição assumiu em França (por oposição à Grã-Bretanha ou mesmo aos E.U.A.) marcou a natureza do liberalismo francês e o papel de quantos dele se reivindicavam, que constituiram desde o início um impossível &quot;partido do centro&quot; entre a reacção e o jacobinismo. Tocqueville e Benjamin Constant são talvez os melhores exemplos desta linhagem - que engrossou as fileiras do &quot;partido da ordem&quot; na II República e alinhou sempre com a direita de cada vez que a contradição direita/esquerda se resumiu aos seus elementos essenciais.
A tradição dos radicais-socialistas franceses é outra, totalmente distinta: voltando à II República, eles não são orleanistas momentaneamente convertidos à causa republicana; eles são os herdeiros da velha &quot;Montagne&quot;, pequeno-burgueses jacobinos cuja força resultava em boa parte de comandarem politicamente o proletariado urbano, que constituia a sua tropa de choque, até este se autonomizar  e criar os seus partidos próprios, inventando a tradição socialista.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Miguel,<br />
Obrigado pelo seu comentário, mas eu não creio que V. tenha completamente razão.<br />
É evidente que a palavra &#8220;liberal&#8221; já teve no Ocidente um sentido genericamente mais radical e menos conservador do que aquele que hoje possui; afinal, enquanto actualmente damos as liberdades civis e políticas por adquiridas, todo o trabalho de subversão do Antigo Regime, na transição dos séculos XVIII para XIX, foi feito em nome do liberalismo.<br />
Agora o carácter particular que essa transição assumiu em França (por oposição à Grã-Bretanha ou mesmo aos E.U.A.) marcou a natureza do liberalismo francês e o papel de quantos dele se reivindicavam, que constituiram desde o início um impossível &#8220;partido do centro&#8221; entre a reacção e o jacobinismo. Tocqueville e Benjamin Constant são talvez os melhores exemplos desta linhagem &#8211; que engrossou as fileiras do &#8220;partido da ordem&#8221; na II República e alinhou sempre com a direita de cada vez que a contradição direita/esquerda se resumiu aos seus elementos essenciais.<br />
A tradição dos radicais-socialistas franceses é outra, totalmente distinta: voltando à II República, eles não são orleanistas momentaneamente convertidos à causa republicana; eles são os herdeiros da velha &#8220;Montagne&#8221;, pequeno-burgueses jacobinos cuja força resultava em boa parte de comandarem politicamente o proletariado urbano, que constituia a sua tropa de choque, até este se autonomizar  e criar os seus partidos próprios, inventando a tradição socialista.</p>
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	<item>
		<title>Por: Miguel Madeira</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/03/o-estranho-caso-do-prof-arroja/comment-page-1/#comment-127</link>
		<dc:creator>Miguel Madeira</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2006 01:58:59 +0000</pubDate>
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		<description>«Tomemos a palavra liberal: é sabido que no continente europeu designa um membro do “partido da ordem”, na sequência da tradição liberal francesa»

Tradicionalmente, na Europa, &quot;liberal&quot; significava um adepto da Constituição espanhola de Cadiz - muito longe de um &quot;partido da ordem&quot;.

E ao longo do século XIX, a maior parte dos auto-proclamados &quot;liberais&quot; europeus passaram tanto tempoo a lutar contra a Igreja, contra monarquias autoritárias, etc. como contra as revoluções.

Até creio que, até talvez à segunda guerra mundial, o &quot;liberalismo&quot; predominante na Europa até seria mais o liberalismo &quot;de esquerda&quot; (estilo Partido Radical Francês)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>«Tomemos a palavra liberal: é sabido que no continente europeu designa um membro do “partido da ordem”, na sequência da tradição liberal francesa»</p>
<p>Tradicionalmente, na Europa, &#8220;liberal&#8221; significava um adepto da Constituição espanhola de Cadiz &#8211; muito longe de um &#8220;partido da ordem&#8221;.</p>
<p>E ao longo do século XIX, a maior parte dos auto-proclamados &#8220;liberais&#8221; europeus passaram tanto tempoo a lutar contra a Igreja, contra monarquias autoritárias, etc. como contra as revoluções.</p>
<p>Até creio que, até talvez à segunda guerra mundial, o &#8220;liberalismo&#8221; predominante na Europa até seria mais o liberalismo &#8220;de esquerda&#8221; (estilo Partido Radical Francês)</p>
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