Voto de silêncio no Beato

silencio0502_silencio_gordoyflaco.jpgNa passada semana, reuniram-se no Convento do Beato um grupo de gestores e empresários, sob o mote Compromisso Portugal. Como dei conta na minha coluna do Diário de Notícias de segunda-feira, as reivindicações deste grupo de interesses, cujo alvo é o Estado, baseia-se na intenção de retalhar o sector público, de molde a obter as partes mais lucrativas do mesmo. Daí que as exigências listadas sejam, essencialmente, as privatizações de sectores tão essenciais como a Saúde, a Educação ou a Segurança Social. Nesta senda ideológica, as empresas que este grupo representa, supostamente tão modernizadas e ágeis, parecem, afinal, não conseguir dispensar o Estado para garantir a sua sobrevivência.

Mas o Compromisso Portugal falha em pôr o dedo na ferida. Isto é, não apenas falha em dispor de um contributo válido para o país- em vez de se acantonar num rol de pedinchices – como em reconhecer as suas próprias dificuldades, nomeadamente a grave falta de formação dos empresários portugueses, como também então assinalei.

Pois bem, o Fórum Económico Mundial, ontem divulgado, deu ao funcionamento das empresas portuguesas nota mais baixa do que a atribuída ao desempenho das instituições do sector público. E Portugal desceu este ano três lugares no índice global de competitividade. Isto é, para além das condições macro-económicas, o factor negativo mais marcante na nossa classificação é a forma como as empresas funcionam e definem as suas estratégias e “não os custos de contexto ou a qualidade das instituições públicas, muitas vezes referidas nos meios empresariais”.

Mesmo na qualidade das instituições, o sector privado perde.

Se os senhores do Beato querem, daqui as dois anos, reunir-se de novo, como já é hábito, aqui têm um bom tema de reflexão. E um bom exemplo a seguir. Até lá, é melhor estarem em silêncio …. que é de ouro. Até pela vergonha.

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QUARTA | Joana Amaral Dias
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One Response to Voto de silêncio no Beato

  1. Franzini says:

    Concordo consigo em alguns aspectos,de facto ha uns meses tb Jack Welch chamou a atenção para a má imagem dos empresarios portugueses lá fora.No entanto a associação da capa do DN aos empresarios do Compromisso Portugal é no minimo facilitista,pois nao me parece que as empresas geridas pelos promotores deste movimento sejam mal vistas,quer pelos seus clientes,quer pelos fornecedores e colaboradores!O que tb não compreendo é um aparente elogio á nossa função publica,isso não,por favor! Já em relação a privatizacoes de sectores ou serviços publicos,eu acho que alguns o podem ser.Entre outros,o IEFP,deve afastar-se da oferta de empregos e deixar isso para as empresas de recursos humanos.Fala-lhe quem teve recentemente de lidar enquanto desempregado com o IEFP,foi algo horrivel!Entenda-me,não estou a alinhar com ninguem,estou a falar do que sei.Dir-me-á:
    “-Mas alguns centros de emprego até funcionam bem!”
    Sem duvida,mas as empresas de recursos humanos funcionam muito melhor,porque têem formação e concorrência e são responsabilizadas qd falham constantemente,e não são caras para quem as requer,estes são só alguns argumentos em prol da minha opinião.E o mesmo se aplica á formação profissional por razoes semelhantes.Cumprimentos.

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