A viagem que estou fazendo

Ninguém me convidou mas fui. Seriam assim as viagens, se o fossem. Quem sabe chega rápido, basta permitir que o olhar tombe sobre a dança da mão, sobretudo aquilo que se vai revelando de preto no branco. Visto daqui pode bem ser um livro, mas não me livro da areia que trago na vista. Pode ser um mapa, tecido em tamanho, encolhido ao bolso. A paisagem pendura-se com pequenos pregos, tem um recorte de proscénio. Não sei se por ali acontece porta ou estamos logo no lugar de chegada, separado do de partida por uma folha inteira de viagem. Confesso que menti: nos aconteceres e desaconteceres, nos actos e nas falas dos que habitam a paisagem, animais todos eles, dá-se a cada cena um pequeno teatro que convida a leituras. Portanto viagens. Deixem-me que vos vá contando daquele estranho país em forma de assim.

JOÃO PAULO COTRIM

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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