Intelectuais e media #1

[resposta a um inquérito DN/6a]

Em que medida a dimensão mediática altera a noção clássica de intelectual?

Não há nada de intrinsecamente dissonante entre o intelectual e os media, bem pelo contrário. Entre as sucessivas declinações históricas que foi tendo a figura do intelectual (como erudito, filósofo, pensador, professor, pesquisador, etc.) conta-se a de ser um intermediário de opinião e conhecimento. Ser um intermediário, ou seja, estar no meio, — entre disciplinas, entre os seus contemporâneos ou concidadãos, entre instituições e indivíduos — exige familiaridade e compreensão dos media. Sempre foi assim: a altivez com que alguns intelectuais tratam hoje os mass media ou os novos media não seriam entendidas por Montesquieu e Voltaire, que tratavam o romance e o teatro por tu, e muito menos pelos intelectuais do século XIX no seu fulgurante caso de amor pela imprensa (que faz lembrar, em certa medida, o sucesso dos blogues no panorama actual). Deve antes dizer-se que a dimensão mediática completa ou cumpre plenamente o intelectual, convertendo-o em intelectual público.

Sobre Rui Tavares

Segunda | Rui Tavares
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2 respostas a Intelectuais e media #1

  1. Olá Rui. Era para ter transcrito este texto no meu blogue quando o li, há quinze dias. Poupaste-me o trabalho.
    Bem regressado sejas. Um abraço.

  2. Haddammann diz:

    Vítimas de pastor denunciaram que foram usados óleo para indução letárgica e hipnotismo para cometerem crimes de máxima repugnância. Criminosos de hedionda índole estão subjugando famílias, escolas, empresas, etc. Esses canalhas estão infiltrando lacaios em tudo que é canto. As igrejas são fabricantes desses criminosos; os mentores das falácias religiosas tentam a qualquer custo impor na Sociedade suas inescrupulosas mentiras; estão dispostos a tudo para subverter e degenerar a mentalidade humana afim de continuarem e expandirem seus inúteis domínios de nababos.
    Sanções contra Físicos, Criacionismo, Fantoches de outdoor fazendo pulhítica, Desmantelamento social por apavoramento de terrorismo, Assassinatos constantes de moços e moças para aniquilar emocionalmente as famílias, Fraudes em documentos médicos para forjar milagres, etc, etc.
    Sendo assim, a paciência está esgotada:
    O texto a seguir é um caso sério, mas em certa altura pessoas quase mijam de rir. Talvez seja porque alguns de nós riem para suplantar um problema num difícil momento de sobrevivência.
    O Criacionismo na Fidelidade Rigorosa da Bíblia.
    O que é intrigante é a posição da Terra em relação ao céu. Parece que o Muito Grande e poderoso sentado no Trono, quando dá uma descarga vem tudo direto pra cabeça de suas igrejas. E quando isso chega, a Terra fica com cheiro não muito bom. Talvez isso explique porque nos sentimos mal quando seus escolhidos superiores passam um mau-hálito quando falam tanto e tão perto de nossos ouvidos.
    Parece que somos como que uma espécie de pano-de-chão lá de cima.
    Rigorosamente pela escrita nosso pai, na melhor das hipóteses, é um assassino; o outro rapaz era bom; o poderoso não achou bom revivê-lo, e deixou o assassino se dar bem com as cabras. Daí que, uns de nós cismam, com certa razão, que são ovelhas; e os homens já têm assim coceira de chifres desde novos. Nosso avô é um mentiroso; nossa avó andava dando idéia às escondidas pra uma cobra. Como ela já gostava de cobra mentiu também pra ver se conseguia segurar no cipó do nosso avô.
    É uma HESTÓRIA linda; e muito criativa; e explica pra nós direitinho nossa condição nesse reino. Pra azar de nosso avõ ele ainda teve também dois filhos, igualzinho ao poderoso Manda-Chuva. Nesse reino existe uma certa aversão por mulheres. E parece que pra piorar os dois playboys sem muito o que fazer em suas vidas eternas, vidraram o olho logo aqui pra esse planeta, com tantos por aí. Talvez seja porque é o único que fica embaixo deles; pois no Universo a idéia de em cima e embaixo é de mero contexto proximal e precisa, no mínimo, de referencial. Mas isso não é pra aqui. Isso é coisa de somenos. Como diria o do curso de mau-hálito.
    O problema é que esses dois príncipes encantados parece que são muito espertos, apesar de ter um pai preguiçoso, que depende da gente pra fazer tudo, e só vive sentado e dando descarga, e cisma que temos que ficar gritando e batendo palmas pra ele, pra disfarçar o barulho que faz debaixo do trono; assim ele fica bem na fita. Ele é muito capacitado, por isso manda a gente fazer assim. E nos dá velas e cruzes e uma cartilha grossa que devemos ler todo dia de trás pra frente e de frente pra trás, pra decorarmos a estória desse reino maravilhoso, forte, e conselheiro.
    Os príncipes encantados, por serem crias de uma obra perfeita, vivem brigando. Parece que um continua chegado nas cabritas daqui, e o outro se amarrou na idéia de ser suspendido no tronco.
    A coisa desandou quando o outro, de sacanagem, chegou pro Tremendo e disse que o principezinho andava se amarrando em preferir só os jumentos; e tava com a idéia fixa de mandar todo mundo se entregar e entrar na onda dele. O negócio ficou feio lá por cima; e o monte de trovão e raio veio bater tudo em cima de quem? Dos filhos das cabras.
    Aí é que fica o problema. Porque parece que nenhum dos dois gosta de estudar; mas o pai deles ao invés de resolver a picuinha deles (nessa eternidade), pra nossa sorte manda os dois virem cobrar de nós a leitura da malfadada cartilha.
    É uma sina nossa, um karma; que será eterno enquanto dure.
    Fim do final.

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