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Segurança Social ou Bando de Retorcidos Malfeitores?

2 de Setembro de 2010 por Tiago Mota Saraiva

A Segurança Social anda a mandar uma carta para todos os pais com direito a abono de família ameaçando cortar o “privilégio”, caso estes não prestem uma prova de condição de recursos e uma prova de situação escolar. Mais, a segurança social obriga a que todos os pais preencham estes dois documentos online, através da Segurança Social Directa – uma triste plataforma de internet realizada, certamente, por um pouco hábil/disponível programador ou um qualquer mentecapto do partido. A missiva informa que as regras foram alteradas e que a partir de 1 de Agosto, estas provas são condição para a obtenção do “benefício”.
Depois de ter realizado todos os passos para descarregar a potencialmente inquisitorial “prova de condição de recursos” não a encontro. Dois dias a tentar telefonar para a linha telefónica a que a carta faz referência, até que alguém atende. A Sra. trata-me por “cliente” e depois de algumas perguntas para confirmar que era mesmo eu que telefonava, diz-me que o referido documento ainda não está online e a segurança social só se compromete a disponibilizá-lo no 1º dos 20 dias seguidos que dará aos cidadãos (e não clientes!) para os preencherem.

A culpa é dos ciganos

2 de Setembro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

A crise económica que o mundo vive é complexa, e não é fácil apontar com exatidão o momento em que terá principiado, mas o governo francês já identificou os seus responsáveis: são os ciganos. A descoberta não terá apanhado ninguém de surpresa. A bem dizer, todos sabíamos do papel que os ciganos desempenharam no descalabro financeiro norte-americano e, subsequentemente, mundial. O conselho de administração do banco de investimento Lehman Brothers era integralmente constituído por ciganos. Uma das razões da falência do banco foi, aliás, o facto de os seus administradores só pegarem ao serviço à tarde. De manhã estavam na feira, a vender T-shirts de contrafação. Bernard Madoff, cuja tez morena é bem reveladora de ascendência cigana, confessou ter planeado o seu esquema fraudulento ao som dos Gipsy Kings. E subprime é um termo do dialeto cigano que significa “ai, Lelo, vamos conceder empréstimos imobiliários de alto risco até provocar a insolvência de três ou quatro grandes instituições financeiras”.

Ricardo Araújo Pereira na Visão

A fantasia de Fazenda

2 de Setembro de 2010 por Tiago Mota Saraiva

Via Ivo Rafael no Facebook.

Adeus ao “Adeus, Lenine”

2 de Setembro de 2010 por Rafael Fortes

Se é assim ou assim que querem debater o papel do Bloco na Esquerda portuguesa, se respondem à critica (severa, mas sem deixar de ser uma análise honesta) com sectarismos dogmáticos, se ao invés de se meterem nas caixas de comentários do 5 dias e discutirem taco a taco as acusações feitas por mim (e por outros, alguns vossos camaradas de partido!) preferem ficar confortavelmente na vossa tasca a gritar impropérios, não sujando as mãos com o debate de ideias franco e aberto; se pensam que é lançando anátemas sobre os que discordam das vossas posições que conseguem essa grande Esquerda plural, entretenham-se. Fiquem aí a falar sozinhos que, acompanhando o Renato e o Tiago, já vi que nessa tasca o vinho é marado…

A liberdade de Sarkozy

2 de Setembro de 2010 por Renato Teixeira

Concentração em frente à Embaixada de França

Contra as expulsões de ciganos

Sábado – 15h

A dois dias da manifestação de solidariedade para com a situação dos ciganos imigrantes em França e de repúdio face às políticas securitárias do governo francês, poucas foram as vozes na blogosfera social-humanitária que juntaram a sua voz a este protesto. Andam seguramente distraídos com coisas mais importantes mas ainda vão a tempo de ajudar a denunciar o regresso das expulsões étnicas ao velho continente.

A manifestação acontecerá em simultâneo com várias manifestações em cidades francesas e em outras capitais de países europeus. Pelos direitos humanos, pelo exercício de uma cidadania plural, pela igualdade de oportunidades e pelo direito a viver no local que escolhemos, de forma livre ou constrangida pelas precárias condições de vida.

A iniciativa foi convocada por uma plataforma de organizações de Direitos Humanos. Em Portugal, o protesto já conta com o apoio do Centro de Estudos Ciganos, Associação Cigana de Coimbra, APODEC, SOS Racismo, Olho Vivo, Ciganos d’ Ouro.

A fraternidade de Sarkozy

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FF responde a FF

2 de Setembro de 2010 por Renato Teixeira

Os arrivistas do Adeus Lenine poderiam ter optado pela piadola para fugir ao debate sobre o que quer afinal o Bloco de Esquerda. As suas respostas não revelam nem humor nem sabedoria. O ataque rasteiro de que o 5dias é um blogue do PCP esbarra em dois factos incontornáveis: a nossa diversidade e o seu cinzentismo. Da minha parte é hora de dizer adeus aos esbirros do Luís Fazenda e do Bloco de Esquerda que não trazem nada de novo nem ao socialismo nem à blogosfera. O silêncio sobre as “nossas” insinuações tem o condão de as elevar a respostas. Se era essa a intenção fiquei absolutamente convencido. Como esse quadro de intenções é pouco provável resta dizer que FF responde a FF mas o Adeus Lenine não responde a porra nenhuma. Continuação de boa caminhada rumo ao socialismo democrático.

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Tristeza e perplexidade

2 de Setembro de 2010 por paulogranjo

Como é que da sede municipal do partido que conquistou heroicamente a independência de Moçambique e que governa o país há 35 anos, em ambos os casos alegando o nome do povo, se dispara de kalashnikov sobre umas dezenas de jovens e crianças com pedras, ali do bairro ao lado, que 3 polícias não têm dificuldade em dispersar?

Será arrogância?
Será inconsciência?
Será efeito dos insultos desconsideradores com que, na televisão, líderes partidários e governativos apodaram a população que protesta?

Por vezes, parece-me que a ruptura entre a Frelimo e a população que governa é bastante maior do que a ruptura entre esse tal povo e os seus governantes. Coisa a que, aliás, Marcelino do Santos não é insensível.

Transformar, retoricamente, o povo comum que protesta (mesmo que de forma errada) em seres anti-sociais, quando se fala em nome do partido ou do governo, é resultado disso ou é um multiplicador desse efeito? Ou as duas coisas? E onde é que, por este andar, essa ruptura vai parar?

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O drama dos 4.000 caracteres e dramas bem mais graves

2 de Setembro de 2010 por paulogranjo

Pergunta: Como é que se enfiam 3 anos de pesquisa e reflexão em 4.000 caracteres?

Resposta: Não se enfiam, seu estúpido!

 

Embora me considere um escriba razoavelmente sintético, foi esta a resposta que descobri ontem, ao escrever este artigo de opinião para o jornal Público.

Espero que a minha frustração por não conseguir meter o Rossio na Rua da Betesga não impeça que o artigo possa ser útil a quem o leia.

Mas aquilo que vos aconselho mesmo (e mesmo, mesmo) é que leiam esta impressionante reportagem de João Vaz de Almada, feita ontem numa zona de Maputo onde passo muito do meu tempo, quando lá estou.

E, claro, o artigo principal, da autoria de Sofia Lorena.

 

adenda: Na caixa de comentários deste e dos anteriores posts (e, suponho, dos que vierem), poderão os Exmos. leitores acompanhar, tipo direito ao contraditório, a empenhada postagem do reprodutor residente da retórica daquilo a que em Moçambique chamam a ”ala bronca” do partido governamental. Conforme escrevi numa das caixas de comentários, não lhe voltarei a responder até o estimado e pseudonómico comentador ter a hombridade de esclarecer se o faz a cargo do Serviço de Informações e Segurança do Estado, de uma outra instituição estatal, do partido governante ou uma das suas facções, de alguma organização ou empresa com interesses em Moçambique, ou por sua autónoma caturrice. É claro que se poderia sempre aconselhar tais empenhados escribas (também conhecidos na gíria por “emplastros”) a exporem as suas doutas opiniões e as declarações oficias num blog que fosse seu. Mas, então, quem os leria? Apelo, por isso, à paciência do estimado auditório.

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a acompanhar

2 de Setembro de 2010 por Paulo Jorge Vieira

Não nos calaremos!
Não fomos nós quem fez esta crise.
Há outras soluções.

Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise.

Desemprego acima de 10%, precarização generalizada, cortes em todos os apoios sociais e nos serviços públicos, ataque ao subsídio de desemprego, aumento da pobreza…Pode-se viver assim? Como aceitar sempre mais sacrifícios para vivermos sempre pior? Como chegámos aqui?

Os banqueiros e os especuladores jogaram com o nosso dinheiro: crédito fácil, especulação imobiliária, fraudes de gestão. Quando ficaram a descoberto, em 2008, não gastaram nada de seu. Chamaram os Estados e, dos nossos impostos, receberam tudo quanto exigiram. Então deram o golpe: com o dinheiro recebido a juros baixos, compraram títulos da dívida pública, a dívida do mesmo Estado que os salvou. Agora, o Estado, para pagar os altíssimos juros dos títulos da sua dívida, vai buscar dinheiro aos bolsos de quem trabalha: mais impostos, menos salário, cortes de todo o tipo, privatizações…

Estamos perante uma gigantesca transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos. Dentro de cada país. E dos países mais pobres da Europa para os países mais ricos – numa Europa submissa e agachada defronte dos mercados especuladores. Duas palavras enchem os nossos dias: “dificuldades” e “sacrifícios”. São palavras para nos silenciar. Pois não nos calaremos. Não fomos nós, trabalhadores de toda a Europa, quem fez esta crise. Quem a fez foi quem nunca passa por “dificuldades” e recusa sempre quaisquer “sacrifícios”. Foram os especuladores que nada produzem, os bancos que não pagam os impostos que devem, as fortunas imensas que não contribuem. Para eles, a crise é um novo e imenso negócio.

Agora que a desesperança se espalha, que a pobreza alastra e que o futuro se fecha, trazemos à rua o combate de uma solidariedade comprometida com os desfavorecidos. Há alternativas ao empobrecimento brutal da maioria da população. O projecto de um Portugal e de uma Europa num mundo que cresça com justiça social e prioridade aos mais pobres. Que defendam o emprego digno, os serviços públicos e os apoios essenciais para garantir o respeito por cada pessoa. Essa é a verdadeira dívida que está por pagar.

Vindos de muitas ideias e de muitas experiências, juntamo-nos pela igualdade e contra as injustiças da crise. Conhecemos as dificuldades verdadeiras de quem está a pagar a factura de uma economia desgovernada.

Não aceitamos a cumplicidade financeira da Comissão Europeia e do BCE no sofrimento e na miséria de milhões, não nos conformamos com um país que se abandona à pobreza, com uma sociedade que aceita deixar os mais fracos para trás.

Uma sociedade civilizada não protege a ganância acima do cuidado humano, o cuidado de um por todos e de todos por um.

Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise.
Vamos à luta.
Vamos!

Ulisses Garrido – Membro da Comissão Executiva da CGTP
António Avelãs – Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) José Rodrigues – Vice-Coordenador da Liga Operária Católica (LOC)
Timóteo Macedo – Dirigente da associação Solidariedade Imigrante (SOLIM)
Mamadou Ba – Dirigente do SOS Racismo
Cristina Andrade – Membro do FERVE (Fartas/os d’Estes Recibos Verdes)
António Serzedelo – Dirigente da Associação Opus Gay
Eduardo Pinto Pereira – Activista Social
Tiago Gillot – Membro dos Precários Inflexíveis (PI)
Viriato Jordão – Presidente de Associação de Pais, ex-Sindicalista e Reformado Francisco Alves – Dirigente da Fiequimetal / CGTP
Salomé Coelho – Investigadora, activista feminista e LGBT
Carla Bolito – Actriz e membro da Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual
João Pacheco – Jornalista e Membro dos Precários Inflexíveis
Silva Alves – Membro da Associação Abril

(também aqui)

Começa amanhã

2 de Setembro de 2010 por Tiago Mota Saraiva

A não perder

2 de Setembro de 2010 por Tiago Mota Saraiva
16| 17| 18| 19 de Setembro 2010
Nesta segunda edição, apresenta no seu território de eleição, Anjos, Intendente, Mouraria e Martim Moniz um programa novo, mas enraizado nos seus propósitos iniciais: um festival de dimensão internacional desenhado à medida do bairro, que propõe ao longo de quatro dias um contacto forte e íntimo com as culturas que habitam esta zona da cidade. A Música, que leva o Fado ao Canto Tradicional Chinês, no Martim Moniz, o Paraíso do Circo apresentado por uma Família Cigana, no Largo do Intendente, o Teatro Popular como Shakespeare o fazia, no ringue de futebol de salão do Grupo Desportivo da Mouraria.

Marx reloaded e uma publicidade

2 de Setembro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

Fanado ao excelente Hugo Dias do não menos interessante, embora em férias, Minoria Relativa.

NÃO ESQUECER: NEGRI em Lisboa no dia 8 de Setembro uma iniciativa do nosso Bruno e Zé Neves. Ler o resto »

Batendo as asas

2 de Setembro de 2010 por paulogranjo

Na boa, e aqui entre tasqueiros capazes de servir copos ao mesmo tempo no mesmo balcão, temo que o Renato tenha colocado as expectativas demasiado elevadas.

Nem creio que o continente africano esteja adormecido, nem (apesar de ser um maduro que anda obcecado pelo potencial que as teorias do caos tenham como paradigma das ciências sociais) me parece muito relevante a coexistência entre a já longa greve dos funcionários públicos sul-africanos e o motim de hoje em Maputo, nem espero da primeira um arrasador movimento de multiplicação.

Num registo sério e analítico, creio que a enorme e longa greve sul-africana tem a marcante importância de, para além de afirmar as suas reivindicações e a relevância social de quem as faz, lembrar ao presidente Zuma que o apoio da Cosatu para chegar ao poder dentro do ANC e do país não era à borla (ou substituível pela criação de mais uns ricos burocratas), mas implica de facto a prometida viragem política à esquerda.

Num registo mais leve, fiquem-se com o cartoon de hoje do Madam & Eve, que foi capaz de me descomprimir das minhas preocupações maputenses.

Desejos de bons sorrisos.

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Como o seitan pode parecer tudo sem saber a nada

1 de Setembro de 2010 por Tiago Mota Saraiva

O primeiro texto que li de Fabian Figueiredo começava assim:

O Tiago Mota Saraiva é daqueles que se pudesse teria feito campanha eleitoral pelo Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte e consequentemente por KimYong-Il

Hoje, a partir deste post do Renato, deparei-me com o segundo texto do mesmo autor. Começava assim:

O post do Rafael Fortes no 5 dias, abre um debate e uma reflexão interessante. Por um lado, dispensou a crítica gratuita e tendencialmente corriqueira – ao qual o 5 dias nos tem habituado, neste tema – por outro, diz-nos muito, sobre o que é o PCP, e como era construtivo para a Esquerda portuguesa, não ser (em muitos aspectos) o que ainda é

Entretanto reparo que Fabian respondeu ao Rafael tendo ficado sentido com a sua formulação contundente e clara preferindo, desta feita, lucubrar sob a capa de fiel arauto da seriedade. Sobre o seu último post confesso-me completamente baralhado, pois o que o Fabian escreve não parece fazer grande sentido à luz da acção política que pretende defender. De qualquer forma fico com a sensação que há cada vez mais pessoas no BE, que assumem a acção política do seu partido como se tivessem a comer seitan – a uns sabe a carne, a outros sabe a peixe, a outros a feijão e pode ser doce ou salgado. O que escrevem nos blogues é um esforço de auto-convencimento.

Não, não resisto: Ká Wamos Yndo, de novo

1 de Setembro de 2010 por Carlos Vidal

Com uma imensa falta de tempo e de paciência, apesar de ter anotado alguns temas para tratar por aqui (quiçá por aqui, temas como o último livro de Michael Fried, o enjoo que é confundir-se a filosofia ou o pensamento em Espanha com Savater, estupidamente omnipresente nas livrarias e em português, a discussão entre J. Rodrigues e o Nuno…), não resisto agora, chamado que fui à atenção pelo atento João Gonçalves, a partilhar com os leitores do 5dias, isto:

Terminam as férias com o final de Agosto, embora haja portugueses que façam férias em Setembro, por as praias, os restaurantes e os hotéis estarem menos cheios. Ao contrário do que se pensava, foram férias calmas, excepção feita da calamidade dos incêndios, apesar do trabalho incansável dos bombeiros, da GNR e dos pilotos dos helicópteros. No entanto, como aqui assinalei num artigo anterior, é preciso e urgente reforçar as medidas preventivas, defender as florestas e obrigar os proprietários das terras que estão abandonadas aos matos – e que são pólvora – a limpá-las ou deixá-las limpar pelos serviços públicos ou municipais, contra um pagamento mínimo.

Quando digo que as férias foram calmas, refiro-me, naturalmente, ao plano político e social. (…) o Verão foi socialmente calmo, com algum aumento do emprego sazonal, uma pequena subida das exportações e todas as habilidades dos desempregados, que recebem pequenos subsídios do Estado e se habituaram a fazer uns biscates eventuais, paralelos, sem passar sequer recibo, sobretudo nas zonas estivais e junto ao mar.

É uma das formas que explica por que razão houve tantas pessoas a deslocar-se na época de férias, apesar da crise, com a família e a participar alegremente em acontecimentos festivos, festas desportivas e acampamentos de vária ordem. A verdade é que uma grande parte das pessoas continua a não sentir a crise.

(Sou um bocado mais generoso do que João Gonçalves, partilho e recomendo um pedaço de texto maior e, porque não?, melhor. Quanto mais texto deste se cita, melhor vamos ficando com o mundo. Dúvidas?)

Uma pequena escaramuça antes de uma discussão

1 de Setembro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


Quero realçar positivamente o último post do João Rodrigues. Para mim, tem uma imensa vantagem sobre o anterior: já não me chama ‘elemento da “esquerda estarola” que quer ganhar espaço e viver à conta do sistema mediático’. Sei que esta contenção deve ter custado muito ao João que em compensação acusa o 5 dias de ser “revolucionário”, termo que na boca dele deve ser o equivalente ao que os taxistas chamam aos outros automobilistas.

Sobre a substância do texto vai ter de ficar para depois, a malta da “esquerda estarola” trabalha e de vez em quando não tem tempo para responder aos textos carregadinhos de citações. Quando discuto um trabalho ou uma citação tento ler um autor, pelo menos mais do que o João Rodrigues mostra ter lido Zizek. Apesar disso, queria deixar três notas:

1. O João fala de um “bloco social anti-neoliberal”, tese instrumental utilizada pelo Bloco para apoiar Manuel Alegre contra Cavaco, esquecendo-se o Bloco que o principal apoiante de Alegre, o partido de Sócrates, foi aquele que mais reformas neoliberais promoveu na sociedade portuguesa. Para mim, não há construção de nenhum bloco social anti-neoliberal que passe pela absolvição alegrista às políticas económicas deste governo. Cada voto, na primeira volta, em Alegre, é um voto na confusão e um apoio a este governo.

2. A frase mais reveladora do texto do João é esta: “Isto (a construção de um bloco social anti-neoliberal), obviamente, pressupõe que se supere uma dicotomia que tão maus serviços prestou a toda a esquerda, em geral, e ao socialismo, em particular: reformista ou revolucionário? Uma dicotomia que exclui, fecha e nem sequer clarifica, porque, entre outras razões, não ilumina as práticas políticas concretas de quem quer intervir com eficácia neste mundo”.

A ideia que não faz sentido a oposição entre revolução e reforma pressupõe dois juízos distintos: um histórico e outro político e ideológico. Em ambos me parece que o João se engana. A divisão histórica do movimento operário não se faz apenas do ponto de vista teórico, entre aqueles que acham que o socialismo pressupõe uma ruptura com o capitalismo e aqueles que defendem que o socialismo se pode construir no quadro de um conjunto de reformas parcelares do capitalismo. Esta divisão teve, ao longo da história, alinhamentos práticos: a posição dos reformistas de apoio aos esforços militares e às declarações de guerra, dos seus respectivos países, durante a Primeira Guerra Mundial, a posição dos partidos operário perante a revolução soviética e, até, a colaboração dos reformistas no assassinato de militantes revolucionários, como Rosa Luxemburgo, que ironicamente teorizou sobre reforma e revolução. Como se vê nada de particularmente confuso, tirando para o João.

A segunda questão é de carácter ideológico, ao esbater a diferença entre aqueles que defendem que o socialismo é um modelo estruturalmente distinto do capitalismo e aqueles que garantem que é apenas um aprofundamento democrático do capitalismo, o que se pretende é acabar com a fronteira entre aqueles que contestam o capitalismo e aqueles que o pretendem gerir. Condição para que no mesmo barco estejam este PS e o Bloco. Coisa que felizmente não faz o consenso no BE e que Francisco Louçã nunca subscreveria, mas com que uma nova geração de quadros do Bloco sonha acordada. A repetição do argumento da eficiência política, como se esta se medisse pelos cargos num futuro governo e não pelo acumular forças sociais e políticas para uma alteração radical da sociedade, é um dos argumentos mais batidos desta política oportunista.

O Bloco trouxe muito de positivo à política portuguesa. A construção de um verdadeiro partido socialista, que em colaboração com os comunistas e outros sectores sociais, se batesse por uma agenda de transformação social abria perspectivas da mudança do quadro político e eleitoral, ajudando a fazer corresponder o peso social das classes interessadas no socialismo ao seu peso eleitoral. A troca desta agenda pela colaboração com o PS Sócrates significa, em meu entender, a liquidação da alternativa que o BE indiciava.

3.Finalmente, já aludi à forma simplista que o João alude à obra de Zizek. Resumir o seu trabalho a um conjunto de piadas sobre a democracia parece-me pouco sério. Quase tão pouco como afirmar que eu sou contra um socialismo com mecanismos políticos democráticos. Ao contrário do João, eu não acredito que haja democracia sem socialismo. E para mim a construção do socialismo é a verdadeira questão que se coloca num mundo esmagadoramente capitalista, por muito interessante que seja discutir as aberrações norte coreanas. Também aqui as intenções do pensamento do João Rodrigues são cristalinas: ao mesmo tempo que pretende esbater as diferenças entre Bloco e PS, quer correr o PCP do campo das alianças políticas do BE, aproveitando-se da sua incapacidade em denunciar claramente regimes que se reclamam falsamente do socialismo.

“Se querem pagar amendoins, contratem macacos!”

1 de Setembro de 2010 por Renato Teixeira

Via Revista Rubra

Discrição de uma jornalista portuguesa na capital de Moçambique: “Maputo está «sitiado» pela população contra o aumento de preços de bens básicos, a população meteu árvores a arder e tem pedras na mão que manda para qualquer carro que queira entrar na cidade. As ligações automóveis à África do Sul estão encerradas e a cidade de Maputo totalmente parada. Acredito que tudo isto seja também contágio da extraordinária greve de decorre na África do Sul, mas não tenho mais dados sobre o assunto.”

Como podemos ver no que atentamente o Paulo Granjo tem escrito aqui, aqui ou aqui, a tensão social em Moçambique acrescenta-se à que já se vinha a viver há algum tempo na África do Sul. Terá sido a poderosa greve geral na África do Sul, o bater de assas da borboleta que parece estar a despertar o continente adormecido?

Veja aqui as imagens mais recentes da vaga de greves que continua a varrer o país do ANC.

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feminismos

1 de Setembro de 2010 por Paulo Jorge Vieira

Há alguns dias discutia eu “teoria queer” e feminismo no Socialismo 2010 e o fantasma de pensar o queer como uma corrente do feminismos voltou a surgir.
Sou daqueles que defende a existência de uma pluralidade de feminismo, por vezes contraditórios entre si e onde as polémicas são muitas. Por isso mesmo será tempo de conhecermos e de pensarmos um pouco sobre de que feminismo falamos, em que feminismo nos situamos…
Por isso mesmo é que muita da intervenção em torno da igualdade de género, nos nossos dias, me parece estranha. De vez em quando, leio coisas que mais do que nao são do que uma verborreia de senso comum retirada de más leituras de um feminismo liberal diferencialisa. São as modas sociais (e académicas) que ditam tal asneiredo.

Agora há uma óptima hipotese de aprender um pouco mais: 25 de Setembro, Fundação Mário Soares, curso livre “correntes do feminismo” organizado pela UMAR (mandar mail para umar.sede@sapo.pt para te inscreveres)

(também aqui)

A pergunta é simples, Fabian: Reforma ou Revolução?

1 de Setembro de 2010 por Rafael Fortes

O Fabian Figueiredo, através desta posta numa tasca umas portas mais à direita (bem mais à direita!), vem assumir a defesa da ortodoxia dirigista bloquista. Antes de mais, comete o erro de confundir a minha opinião com o que são  as posições de um colectivo partidário onde me insiro, o PCP. Nada mal para quem tanto apregoa o respeito pela diversidade cultural e de pensamento. Quem o leia, até parece que está a falar de um membro da Comissão Politica, ou (arrepiem-se os anti-burocratas burocratizados) de um funcionário (o meu amigo Fabian não será um, pois não?)…

Mas adiante, a minha opinião vincula-me a mim e mais ninguém.  Continuando na linha de ataque aos “burgueses vermelhos” (esta partiu-me todo!), o Fabian (re)lança o anátema da homofobia vermelhusca, que já deu pano para mangas em tudo o que é critica reaccionária e que as tomadas de posição do PCP (e também dos Verdes, esse partido melancia como muitos amiguitos bloquistas gostam de o apelidar) vieram desmentir cabalmente. Quanto à legalização das drogas leves, muito mal andaria o mundo, se esta fosse uma reivindicação revolucionária (a pesar de eu até ser a favor)…

Continuando o rol de parvoices, o Fabian vem falar da importância do grupo parlamentar do BE para a Esquerda, não  sei porque carga de água se lembrou de dizer isso a propósito  do meu texto, mas ele lá saberá. É que em nenhum momento, sequer comento a pertinência de haver mais ou menos deputados bloquistas, o que eu questiono é se o BE tem como horizonte a Revolução – e podemos dar muitas voltas ao assunto, mas reforma e revolução são conceitos diametralmente opostos…

Mas pior que tudo, e confirmando em absoluto a minha tese, o Fabian tem pena de que não  se preveja “uma onda de regresso aos princípios da social-democracia” por parte do PS – ou seja deduzo que o Fabian até admite que se o PS reassumisse o seu papel reformista (um pouquito mais à esquerda, como havia dito), seria o companheiro ideal do Bloco (e esqueçamo-nos lá dessa porra de revoluções, que essa merda dá muito trabalho). A questão central fica respondida, o que leio do Fabian é que ele não se importa com a manutenção de um sistema capitalista reformado, ou seja, não tem no horizonte a revolução.

Quase a terminar, e fico contente por poder fazer alguém rir, o Fabian questiona os dois últimos parágrafos da minha posta anterior, sem sequer saber quais são as minhas referencias de revolucionários e de  revoluções, de experiencias positivas, de avanços, mas também de erros e de crimes (e esquecendo oportunisticamente que o PCP já fez a sua critica e autocritica relativamente aos países de leste e de forma colectiva!) Pumba! Este gajo é do PC, por isso é um stalinista, pensou o Fabian (tenha cuidado que essa merda é sectarismo burocrático, Fabian, não queira ser confundido…)

Reproduzo aquí um comentario que tinha feito a um (assumido) reformista seu companheiro:

“donde depreende que eu branqueio Stalin? Por falar em revolucionarios? E é assim, ou sao todos ou nao é nenhum? nao me dá o direito de me identificar com aqueles que foram cruciais e que contribuiram de forma mais positiva para o que hoje podemos entender como socialismo? Entao, e os defensores do capitalismo? Do Adam Smith ao Keynes comem tudo?”

Saiba o amigo Fabian que encontro aportações válidas ao Socialismo em Lenine, em Fidel, em Amilcar Cabral, em Rosa Luxemburgo, em Bakunine, em Guevara, no sub-comandante Marcos e até em Chavez e, pasme-se, até em Trostki e Mandel, entre muitos outros.

Quanto às sugestões que deixa o Fabian, agradeço-as do fundo do meu coração stalinista, debaixo desta carcaça empedernecida e fria, mas não posso deixar de notar a dificuldade que ele teve em encontrar signos de afirmação ideologica, de assunção clara de um projecto revolucionário do Bloco. Creio, desminta-me se estou enganado, mas nenhuma destas iniciativas aparece com o selo claro e estampado do Bloco, pois não? Aparece uma associação cultural que não é o Bloco, pois não? Ou o BE já não se importa de assumir claramente a satelização das organizações que lhe são próximas? Só para saber… é que de revolucionários envergonhados e fantasmas do passado, já ando um bocadinho farto.

O Bloco diz-se uma força do futuro, então que se assuma, por onde passa o futuro, Fabian? Reforma ou revolução?

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Ponto da situação às 13 horas

1 de Setembro de 2010 por paulogranjo

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